Blogterapia

27-7-07

DISNEY PARA ALTINHOS

A diferença de visitar a Disney aos 26 anos é que você vai carregado de sonhos... e de desilusões. Isso é, no mínimo, mais emocionante.
Não posso reclamar dos meus quinze anos, pois, embora há dois anos eu já acordasse antes do sol nascer pra trabalhar, eu vivi momentos inesquecíveis proporcionados por minha família, que nunca me tiraram o encantamento de ser criança, como na noite de meu aniversário de debutante que pude receber uma festa surpresa de meus sonhos, dançando inclusive com meus dois pais à meia-noite, vestida de princesa da Disney... Mas com certeza, se naquela data eu estivesse onde estive na semana passada, não teria o mesmo significado. O que senti ao ver o Mickey entrar por aquela avenida do parque tende ao indescritível, mas como dizem que sou boa nisso, vou tentar narrar meus sentimentos naquele lindo sábado de sol: Puta que pariu, Batman! Que dor de barriga! (kkk). Foram 18 vezes num dia! Por algumas vezes abandonei filas só pra aliviar toda minha ansiedade e emoção simplesmente por estar ali. Porque estar ali não era só ter pago setenta e poucos dólares, era algo realmente sem preço.
Comecei a trabalhar aos meus 13 anos. Algo de muito marcante me fez querer e fazer isso, mesmo indo contra a vontade de minha mãe, na época. Jamais me esquecerei de um dia que pedi ao meu pai dinheiro pra comprar gelinho (geladinho, chupe-chupe, sacolé, sabem do ques estou falando?) e meu pai me deu, ao contrário de muitos outros dias em que ele me dizia não ter. Naquele dia eu fiquei radiante! Como se tivesse vencido pelo cansaço ou algo assim.... Depois de assistir alguns desenhos animados e brincar um pouco de Barbie, avisei minha mãe que iria na casa da Dona Geni comprar gelinho. "Com que dinheiro?", perguntou minha mãe. E eu respondi a verdade. Não tínhamos telefone na hora, caso contrário, tenho certeza que minha mãe sairia daquele tanque pra ligar pro meu pai no mercado em que trabalhava, controlando entrada e saída de mercadorias. Quando voltei com o gelinho, lembro como se agora minha mãe enxugando as mãos no avental, me chamando pra perto e com os olhos fixos nos meus, me pedindo compreensão em não pedir mais dinheiro pro meu pai, porque ele sofria muito em dizer que não tinha pra mim e que naquele dia, pra não me dizer não novamente, tinha desinterado do dinheiro da passagem e ido a pé trabalhar. Jamais esquecerei da culpa que senti naquele momento. Eu tinha 8 anos de idade. Era uma tortura ir de ônibus até o Center Norte da minha casa, pois era longe, demorado. Imagine a pé. Hoje sei que estamos falando de aproximadamente uns 10 km de onde eu morava até onde meu pai trabalhava, mas ainda hoje doi como se eu tivesse feito meu pai escalar o Monte Everest. E não se esqueçam que estamos falando de algo que hoje gira em torno de cinquenta centavos. Foi por isso que comecei a trabalhar cedo. Prometi nunca mais fazer meu pai sofrer por minha causa em relação a dinheiro. E hoje tenho muito orgulho de desde meus 13 anos poder ter comprado todos meus materiais escolares, minhas roupas, minhas despesas com remédios, enfim, e não me sinto pouco privilegiada, afinal, quem trabalha sabe muito bem o preço de ter casa, comida e roupa lavada, o que nunca me faltou na vida, além de todo amor e educação que nunca estiveram em recessão em minha família.

Continua...


Escrito por Ana Paula Pereira Gomes às 08h04
[] [envie esta mensagem] []



Limpei casa, fui babá, trabalhei em almoxarifado. Lembro do medo do primeiro dia de cada um destes trabalhos. Aos 16 anos tinha um estágio considerado um dos melhores da Federal, em relação à bolsa auxílio e aos 18 já podia pagar minha faculdade de Engenharia, sem nunca ter pedido que meus pais me ajudassem em uma mensalidade se quer. Do ano em que trabalhava no berçário da escolinha são os que mais me trazem saudades. Eu via o sol nascer todos os dias e sorria todo o tempo em que estava sendo paga pra brincar. E é por lembrar com tanto carinho destes meus momentos de pura felicidade que ainda sonho com o dia que terei a minha escolinha, independente da profissão que a vida me tendenciou a escolher. Dou aula de Iniciação à Mecatrônica, sei lá, ensinando as crianças a fazer seus aviõezinhos num formato que possa atingir velocidades superiores às daqueles mixurucas de papel que aprendemos em escolinhas que não são de Engenheiros (rs). Estudei sempre demais. Por ter feito meu primário e ginásio em escola estadual, tive que dar meus pulos pra conseguir entrar na Federal, onde fiz meu técnico em Eletrônica unicamente com o intuito de arranjar um emprego de técnica e  pagar minha faculdade de Psicologia onde me especializaria na área infantil. Doce ilusão. Depois de ingressar na área de Exatas foi uma espécie de amor platônico. Caminho sem volta. Mais que qualquer coisa, tenho fome de aprender. E o mundo dos números, da física, da engenharia satisfaz qualquer maluco com esta obstinação. Além do que, o tal emprego que seria somente pra que você pagasse a faculdade de seus sonhos, começa a lhe cobrar avanços acadêmicos para que você tenha aumentos salariais. E depois de longos e árduos seis anos (eu disse LONGOS e ÁRDUOS seis anos) eu era uma Engenheira, com a crise de identidade que deveria ter passado aos 16, 17 anos de idade. Isso foi a seis meses atrás. E lógico que minha crise de identidade ainda está ativa. Penso tanto que penso até no tanto que penso. Coisas assim. De qualquer forma, não de forma lamentada, minha vida nunca foi tão fácil como a de muitas amiguinhas que foram à Disney aos seus 15 aninhos. Hoje eu sei que lutei muito pra chegar onde estou, mesmo que isso não pareça tão "longe". Meu primeiro carro, minha formatura, meus vestibulares, tudo pago com muito suór em suas devidas proporções. Talvez se meu pai lesse este texto, sentiria algumas coisas que não gostaria que ele sentisse. Tudo que eu queria era que sentisse orgulho, muito orgulho, por ter conseguido nos criar, eu e meus dois irmãos, sem nunca deixar faltar o básico para que fôssemos e tivéssemos tudo que somos e temos hoje: amor incondicional. E aquela caminhada que ele fez pra me dar o gelinho naquela manhã, foi a grande causa da minha caminhada. Foi muito mais que um gelinho que ele me deu naquele dia. Foi toda a responsabilidade que tenho dentro de mim.
E isso tudo veio à tona quando derramei minha primeira lágrima na Disney, vendo o Mickey passar, emocionada por estar realizando o maior sonho de minha vida, um pouco mais tarde que eu sonhava quando criança, mas muito mais cedo do que eu imaginava depois de adulta...
Veio à tona toda minha infância. Meio que roubada pela responsabilidade desde cedo. Mas pude ver que tudo que nos tiram de forma injusta, o Universo devolve de forma ainda mais especial. Naquele sábado me senti pura, feliz e radiante como uma criança, que nunca gostaria de deixar de ser!
Essa é a grande diferença de visitar a Disney pela primeira vez aos 26 anos. Você tem o doce sabor de regressar ao passado e fazer com que este doce sabor de realizar um sonho, tenha muito, muito mais recheio!
Aquelas princesas, todos os heróis de nossos desenhos animados: Pluto, Pateta, Pinóquio, Mickey, Donald... Realmente nos faz acreditar que o mundo tem nem que um quê de Conto de Fadas. E se eu não acreditasse nisso, com certeza não estaria lá, ao lado do Sidnei, que tanto amo e desejo, vivendo um dia de princesa, com toda a certeza do mundo de que a vida, mais cedo ou mais tarde, tem o bom e velho ..."E viveram felizes para sempre!"...

Sidnei -> Obrigada por ser único e insubstituível em minha vida. Obrigada por me devolver o sonho de um final feliz do Conto de Fadas que me faz viver, todos os dias.
Pai -> Um exemplo vale mais que mil palavras. Obrigada por ter me dado o dom da vida e a alegria de viver.


Escrito por Ana Paula Pereira Gomes às 08h03
[] [envie esta mensagem] []


2-7-07

AMOR É COMO RABINHO DE LAGARTIXA...

Eu achei que era capaz de aprender qualquer coisa que eu me dispusesse a aprender. Fui ingênua ao achar tinha uma pré-disposição em aprender facilmente as coisas. Quanta bobagem! Depois de entender tão facilmente a Teoria da Relatividade e tirar um 10 de Física Quântica na Faculdade de Engenharia Elétrica, achei que nada seria difícil pra mim. Quanta pretensão! O amor. Amo. Amo desde que existo. Amo meus pais, amava meus brinquedos. Amei todos meus animais que vivem em paz no céu dos cachorros e dos gatos (inclusive minha jabota, que claro, está ainda viva)... Porque tanto treino não faz com que fiquemos então PHD no assunto? Já no prézinho a gente meio que se apaixona por aquele garotinho que é uma graça, que desce mais depressa pelo escorregador ou que pula o muro da escola que nem  super-herói de cinema. E aos 26 anos eis-me aqui... Achei que um ano de terapia, achei que ser Silva poderia me poupar de sofrer por amor... Ou isso me parece mesmo impossível ou sou mesmo muito burra e sempre pego DP nesse negócio de "amor". Depois de um turbulento relacionamento que acabara há um anos atrás, depois de ir no fundo do poço, jogar terra em cima de minha própria cabeça, vendo se me enterrando eu desaparecia do planeta, encontrei uma mola que me impulsionou de volta à vida e me fez enxergar o quão ridícula eu tinha sido por derramar tantas lágrimas só por ter descoberto uma traição do meu ex namorado com minha ex melhor amiga (riam! Ex melhor amiga é nova, vai! rs). E jurei que nunca mais sofreria por amor. Jurei que nunca mais derramaria uma lágrima se quer por um par de calças. E me amargurei por longos meses, olhando ao meu redor, me escandalizando nas baladas, me vingando pelo MSN, praticamente uma "homemfobia". Estive próxima de todos meus grandes amigos, fiz rafting, cannyoning, boating, andei de balão... Aluguei uma casa por um ano na praia. Bati cartão nas melhores baladas da grande cidade do mundo, viajei, Carnaval de Salvador, Sol de Ipanema, Friozinho do Uruguai, Brownies de Chicago, Rockzinhos de Seattle... A paz reinava. Um barulho aqui, outro ali, porque ninguém é de ferro e precisa beijar na boca... E até em micareta acabei indo. Não beijei, juro! Mas dancei, por longas e maravilhosas 10 horas seguidas. Era uma energia sem fim! A paz realmente reinava em meu coração. Tive medo. Medo de nunca mais conseguir me apaixonar. Medo de nunca mais chorar. E sofri. Não por amor. Mas por falta dele. Tentei inventar algumas paixões, que nem aquela música do Cazuza, sabe? "Um grande amor a gente inventa... Pra se distrair. E quando acaba a gente pensa... Que ele nunca existiu..." E um dia, numa das orações que mais me conectei de verdade com Deus, eu pedi, do fundo da minha alma, que se eu tivesse que sofrer,  que fosse pelo excesso, mas não pela falta. Aquele vazio doia demais. E tava começando a incomodar de verdade. Quando a gente passa o tempo que tinha que passar sozinho, quando a gente aprende que é capaz de achar a felicidade dentro de si, que é capaz de sorrir mesmo só, depois de tudo isso, a gente ESCOLHE que não quer ser feliz sozinho. E é quando o tal vazio resolve doer. Como assim vazio não doi? Tem quem morra de fome! Com certeza o oco do coração é muito pior que o do estômago. Aos poucos apareceu "ele" em minha vida. Nada que desse um conto de fadas, mesmo que eu tenha certeza do final "...e viveram felizes para sempre". Foi gradual, racional, pensado e sentido. Nos conhecemos. Nos vimos. Nos falamos. Nos encontramos por acaso por algumas vezes. Confesso. Senti-me atraída. Mas calma lá! Coraçãozinho não é bobo não (bom, pelo menos naquele momento... rs). É como se depois de sofrer em 3 relacionamentos, meu coração tivesse se tornado uma entidade a parte, com vontades e atitudes próprias... (claro que tudo isso é uma metáfora, gente! Coração bomba sangue. O que se apaixona é o cérebro). "Ele"? O que ele fazia? Existia, oras! Quer algo mais significante que o cara da sua vida existir pra te deixar perdidamente apaixonada? Vocês não estão entendendo! Parem de me criticaR! Ele existia, falava, sorria (meu Deus! Que covinhas eram aquelas???) e OLHAVA... Ai que olhar
.... Verde... Que palmeiras o que! Tô falando sério! Verde... E aquilo era muito mais emocionante que o rafting, que o cannyoing, que o boating... Aqueles olhos verdes eram muito mais lindos que todo o mar de São Sebastião e que todo o descampado que pude ver do alto do balão... Oh, não! Eu estava PERDIDAMENTE apaixonada! E traumatizada. Acharam que aqui já ia tocar a musiquinha e rolar beijo na boca? Nananinanão. Eu sou brasileira. Mais que isso. Eu sou corintiana: não desisto nunca MESMO! E resistia. Ao seu jeito de me chamar de "mulher feia", ao seu jeito de me tirar pra dançar, ao seu jeito de me pegar no colo (tem noção do que é um homem pegar uma mulher com complexo de excesso de peso no colo???), eu 'burramente' resistia... Mas a vida não costuma pegar leve.

CONTINUA...


Escrito por Ana Paula Pereira Gomes às 12h55
[] [envie esta mensagem] []



Com ninguém e muito menos comigo: Olho no celular: "Ele" chamando. Coração acelera. Garganta dá um nó. Atendo toda felizinha: "Fala homem feio!"... Era a filha mais velha. Achei que era uma brincadeira de muito mau gosto, mas era verdade. Ele, o cara da minha vida, o dono daquele sorriso, daquele olhar INFARTOU. Ora, não precisa usar de muita lógica nem resolver nenhuma equação de segundo grau pra entender que, uma vez que a esta altura do campeonato o meu coração já era dele, o dele infartando, levou o meu junto. Foi assim: meu mundo desabou! E bem na semana de alta da terapia. A maior prova que eu poderia ter. Como eu chorei. Chorei de verdade. De dor. Uma dor que eu nunca tinha sentido na vida. Eu já chorei porque fraturei o cóquis, já chorei porque fui traída, já chorei porque o menininho morre por picadas de abelha no final do Meu Primeiro Amor, mas acreditem em mim, pelo menos em duas coisas: usem filtro solar e JAMAIS DEIXEM PRA AMANHÃ UM EU TE AMO QUE SE PODE DIZER HOJE. Jamais! Isso doeu mais que qualquer cólica renal que se tenha registro na história! Eu ajoelhei e prometi que jamais cometeria este mesmo erro. Sim. Poderia chorar, sofrer por dar pérolas aos porcos, por amar desmerecidamente uma pessoa, por confiar e ser apunhalada pelas costas, mas chorar por deixar de ser eu mesma, deixar de expôr meus verdadeiros sentimentos, eu prometi que nunca mais. Exatamente como "ele" me ensinou. Exatamente igual. "O maior despercídio da vida está no amor que não damos"... Era isso! Bingo! Fui vê-lo na UTI, O que me acalmou profundamente o coração pois eu o visualizei bem, fora dali. E escrevi uma carta dizendo tudo que eu sentia. Só isso... Tudo bem vai... Mais uma poesia e um arranjo de girassóis. Tá, tá. Mais alguns livros. E ele soube ali que havia mais uma mamífera fêmea apaixonada por ele. Dane-se! Estava falado. Senti-me uma tonelada mais leve. E em menos de 10 dias perdi 5 kilos. Oito dias de angústia, de ansiedade. Foram os mais longos 8 dias de minha vida! Como se eu estivesse em cativeiro, ou algo semelhante. E dois dias depois de estar em casa, ele me beijou pela primeira vez. E foi o início de "nove semanas e meia de amor". Eu entendi o que era amar. E enfim, o que era ser amada. Pela primeira vez diversos sentimentos apareceram em minha vida. Pela primeira vez eu fiz coisas que nunca tinha feito. Pela primeira vez olhei nos olhos de forma inteira. Pela primeira vez me senti imatura por errinhos que fiz tentando acertar. E foi exatamente como diz a "nossa" música: Na primeira vez que te olhei nos olhos, eu vi o amor. Na primeira vez que você me tocou, eu senti o amor. E depois destes momentos, eu somente consegui amar aquela pessoa, aquela alma, aqueles toques, aqueles beijos, aquele corpo por cima do meu, fazendo pesar e me fazendo pensar, o quanto é maravilhoso poder novamente AMAR!
SIdnei: Te amo cada dia mais!


Escrito por Ana Paula Pereira Gomes às 12h55
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
 
 
       
   



BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA ROMERO, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Informática e Internet, Viagens
MSN - anapaulapgomes@hotmail.com







Histórico

OUTROS SITES
    UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis


VOTAÇÃO
    Dê uma nota para meu blog